"GOLPE DO LIMA NOME": FRAUDE ESCONDE BILHÕES EM DÍVIDA
Um esquema nacional apelidado de "Golpe do Limpa Nome" tem acendido o alerta máximo no mercado financeiro e no Poder Judiciário. A fraude consiste na ocultação de dívidas legítimas das bases de consulta pública utilizadas por bancos, empresas e fornecedores para análise de risco.
Na prática, embora os débitos continuem existindo e devidamente registrados nos Cartórios de Protesto, eles deixam de ser exibidos nos sistemas de consulta, criando uma aparência artificial de adimplência e induzindo terceiros ao erro em operações comerciais e financiamentos.
Em todo o Brasil, o impacto da manobra já atinge cifras bilionárias, com R$ 19,95 bilhões em débitos ocultados das consultas nacionais, envolvendo a retirada de 820 mil protestos e afetando 53 mil credores. O avanço desse cenário levou o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) a editar o Provimento nº 225/26, uma norma específica voltada para monitorar de perto as decisões judiciais que determinam a exclusão desses protestos dos sistemas públicos de crédito, buscando frear os danos à segurança do mercado.
No Estado de Pernambuco, os reflexos do golpe também são expressivos. Um levantamento realizado pelos Cartórios de Protesto aponta que 7.480 protestos deixaram de aparecer nas pesquisas públicas locais, o que camufla um montante de R$ 261,9 milhões em dívidas. Essa situação afeta diretamente 557 credores pernambucanos e beneficia 630 devedores, que passam a circular no mercado com uma ficha financeira falsamente regularizada.
Pauliana Porto, presidente do Instituto de Estudos de Protesto de Títulos do Brasil – Seção Pernambuco (IEPTB/PE), esclarece que a publicidade dessas informações é garantida por leis federais para assegurar a transparência e estimular a quitação de débitos. Segundo a especialista, quando uma dívida válida deixa de ser visível sem ter sido paga, gera-se uma distorção grave que encarece o crédito e eleva o risco de todas as transações econômicas no país.
Fonte: JC Pernambuco